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ECONOMIA
24/07/2020 18:38
Atualizado
25/07/2020 16:16

“Eu não gostaria de ver a Petrobras totalmente ausente do Rio Grande do Norte”, diz Prates

Durante o Circuito Brasil Óleo & Gás – Rio Grande do Norte, realizado nesta quinta-feira (23), o Senador Jean Paul Prates demonstrou mais uma vez sua preocupação com política de desinvestimentos promovida pela Petrobras no Estado e a venda de seus poços para empresas privadas; O senador defende que a transição para o novo modelo de mercado seja feita de forma suave e transparente.
FOTO: REPRODUÇÃO

“Eu não gostaria de ver a Petrobras totalmente ausente do Rio Grande do Norte”, alertou o senador Jean Paul Prates (PT/RN), nesta quinta-feira (23), durante o Circuito Brasil Óleo & Gás – Rio Grande do Norte.

O evento, promovido pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), debateu o novo mercado potiguar de petróleo e as oportunidades de operação onshore e de fornecedores estratégicos.

A preocupação relatada pelo parlamentar acontece em meio a atual política de desinvestimentos promovida pela Petrobras. A estatal vem registrando o declínio de suas atividades no RN com a venda dos seus campos de produção de petróleo, para empresas privadas do ramo.

Jean Paul defende que a transição para o novo modelo de mercado seja feita de forma suave e transparente.

“Deve haver uma transição equilibrada, organizada, planejada com o Governo do Estado e com os setores produtivos, para que a gente consiga preparar esse processo e que possa atender um mercado de fornecedores maduros, recuperados. Precisamos de uma solução de transição em que a Petrobras participe conosco”, pondera o senador.

Jean Paul é presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras e recentemente lançou, com apoio da categoria petroleira, uma campanha nacional com o mote #PetrobrasFica envolvendo sociedade, partidos, parlamentares, governadores, movimentos, sindicatos, entre outros.

“Onde a Petrobras ainda pode atuar? Em um bloco de águas profundas? Mantendo a estrutura da refinaria de Guamaré para apoio do offshore para todos os operadores que vão entrar?”, questiona o parlamentar, salientando a importância da manutenção da estatal em território potiguar, quer seja operando a parte logística ou mantendo seus funcionários e infraestrutura.

O senador defende que a Petrobrás nasceu como uma empresa pública e estratégica para os interesses nacionais. “Lutamos para chegar à autossuficiência e agora vamos jogar isso fora”, frisa.

Conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Rio Grande do Norte teve um decréscimo de produção de óleo de 12,6% e de gás de 27,5% nos últimos anos.

A cadeia produtiva do petróleo e gás potiguar representa, atualmente, 45% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Estado, de acordo com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern).

Somente nos últimos quatro meses, foi responsável por um repasse de R$ 36,8 milhões para o estado sob a forma de royalties, sem contar com os repasses para os municípios produtores.

Anabal Santos Júnior, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), ponderou que apesar da produção em terra ser antiga, a atividade é ainda pouco explorada no Brasil, apenas 5% das bacias. E apresenta baixa recuperação dos reservatórios – em torno de 22%. Em alguns lugares do mundo, essa recuperação varia entre 40% a 60%.

NOVO MODELO

Com a sinalização da Petrobras de atuar exclusivamente na exploração de óleo e gás natural do segmento offshore em águas ultraprofundas, as atividades de produção terrestre e nos acumulados marginais se abriram para as operadoras independentes e companhias de médio e pequeno portes.

A abertura proporcionou a retomada dos investimentos no onshore brasileiro, reaquecendo o setor nos estados da Rio Grande do Norte, Bahia, Amazonas, Espírito Santo, Sergipe e Alagoas, que concentram as maiores produções do país.

Para Marcos Félix, vice-presidente executivo da ONIP, o Rio Grande do Norte saiu na frente e caminha a passos largos na retomada das operações de exploração e produção de petróleo terrestre.

“Mossoró, a capital onshore brasileira, tem uma nova responsabilidade no setor, além da sinergia com setores importantes como energias renováveis, fruticultura e turismo”, observa Félix.

O diretor superintendente do Sebrae-RN, José Ferreira de Melo Neto acredita que a retomada das atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural é fundamental para economia do estado.

“Principalmente para a inserção de pequenos negócios nessa cadeia justamente neste momento tão complicado que estamos passando. A indústria petrolífera em campos terrestres é uma das principais vocações do RN”, destaca.

INVESTIMENTOS

Atualmente, pelo menos dez operadoras independentes estão explorando esse mercado em solo potiguar. A maior delas é a Potiguar E&P, ligada ao grupo Petrorecôncavo, que aplicou US$ 384 milhões somente para arrematar os campos do polo Riacho da Forquilha.

A revitalização de campos maduros foi abordada pelo CEO da 3R Petroleum, Ricardo Savini – “Pretendemos dinamizar. Resolver, revitalizar, repensar campos maduros esses são os três ‘erres’. Criar uma segunda onda de petróleo”, afirma Savini.

No dia 16 de julho, a Petrobras vendeu a totalidade da sua participação em dois campos de produção terrestres da Bacia Potiguar, Ponta do Mel e Redonda, localizados no município de Areia Branca, na região oeste do estado, para a Central Resources do Brasil Produção de Petróleo Ltda. em uma operação que totalizou US$ 7,2 milhões.

Em contrapartida a esse novo modelo de mercado, a redução das operações da Petrobras em solo potiguar resultou na demissão de 1.328 funcionários terceirizados no Rio Grande do Norte somente este ano. Os dados, levantados pelo Sindipetro, são de registros entre 1º de janeiro e 10 de junho. No início do ano eram 6.032 funcionários terceirizados no Estado.


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