15 ABR 2026 | ATUALIZADO 11:55
ECONOMIA
Por Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras e Ex senador da República
14/04/2026 22:57
Atualizado
15/04/2026 09:49

[COLUNA OPINIÃO] Petrobras: a empresa que domina o fundo dos oceanos

A empresa que domina o fundo do oceano como nenhuma outra no mundo deve se converter em braço auxiliar de um setor que já é plenamente capitalizado e competitivo? A Petrobras foi construída para abrir fronteiras tecnológicas e operacionais onde o investimento privado, por natureza, hesita: águas ultraprofundas, pré-sal, soluções avançadas de perfuração, produção, reinjeção e processamento que hoje são referência global.
A empresa que domina o fundo do oceano como nenhuma outra no mundo deve se converter em braço auxiliar de um setor que já é plenamente capitalizado e competitivo? A Petrobras foi construída para abrir fronteiras tecnológicas e operacionais onde o investimento privado, por natureza, hesita: águas ultraprofundas, pré-sal, soluções avançadas de perfuração, produção, reinjeção e processamento que hoje são referência global.
Divulgação da Petrobras

COLUNA OPINIÃO

Por Jean Paul Terra Pres

A empresa que domina o fundo do oceano como nenhuma outra no mundo deve se converter em braço auxiliar de um setor que já é plenamente capitalizado e competitivo?

A Petrobras foi construída para abrir fronteiras tecnológicas e operacionais onde o investimento privado, por natureza, hesita: águas ultraprofundas, pré-sal, soluções avançadas de perfuração, produção, reinjeção e processamento que hoje são referência global.

Esse é o DNA da companhia.

No entanto, chama atenção o deslocamento recente da narrativa institucional para áreas como fertilizantes, voltadas a suprir um setor que dispõe de capital, acesso a mercados e histórico de decisões orientadas por preço internacional, não por compromisso estrutural com a produção doméstica.

Ao mesmo tempo, foi necessária uma nova crise global do petróleo para recolocar na agenda temas centrais: recomposição do parque de refino, reentrada na distribuição e a defesa de inovações como o coprocessamento de óleos vegetais nas refinarias, tecnologia em que a Petrobras detém vantagem clara.

Enquanto isso, permanecem subexploradas agendas nas quais a companhia possui diferencial competitivo real e papel estratégico insubstituível: eólica offshore, eletromobilidade, combustíveis sustentáveis para aviação e navegação, armazenamento de energia.

Não se trata de escolher entre petróleo e futuro. Trata-se de alocar capital, tecnologia e capacidade institucional onde uma estatal de excelência técnica efetivamente agrega valor ao país.

Há uma diferença clara entre liderar a abertura de novas fronteiras e assumir riscos que o setor privado não deseja correr, e deslocar-se para áreas onde esse mesmo setor já opera com escala, eficiência e acesso a financiamento.

A experiência brasileira recomenda cautela. Quando ciclos de preço mudam, a lógica de mercado se impõe rapidamente. Não seria surpreendente que, uma vez operacionais as plantas de fertilizantes, surjam pressões por redução de preços, questionamentos concorrenciais e, em seguida, o retorno do discurso pela privatização desses ativos.

A história recente sugere que esse movimento não é hipotético. É recorrente.

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