01 OUT 2020 | ATUALIZADO 18:26
MUNDO
COM INFORMAÇÕES DO G1
05/08/2020 09:24
Atualizado
05/08/2020 20:47

Nitrato de amônio pode ter causado explosão que matou mais de 100 em Beirute

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A suspeita é que a explosão tenha sido provocada por cerca de 2,7 mil toneladas do produto. Os riscos do armazenamento incorreto desse material são conhecidos e o produto já foi responsável por tragédias na França, na China e nos EUA.
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FOTO: ANDRE AZA

Nesta terça-feira (4), uma explosão na região portuária de Beirute deixou mais de 100 mortos, de acordo com o governo do Líbano. A causa suspeita é uma explosão de 2,7 mil toneladas de nitrato de amônio, substância utilizada como fertilizante.

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Os riscos do armazenamento incorreto desse material são conhecidos e o produto já foi responsável por tragédias na França, na China e nos EUA.

Usado para a produção de alimentos, o nitrato de amônio precisa ser armazenado com restrições, de acordo com Guilherme Marson, professor doutor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

“Não se armazena [nitrato de amônio] em grande escala com segurança. É necessário dividir o produto em pequenas porções para conter um possível estrago. E, principalmente, produzir e já transportar para onde será utilizado", disse.

Segundo o químico, o nitrato de amônio não é um explosivo por si só. Ele se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro, desde que não aquecido ou em contato com alguma faísca.

A partir de 210 °C, decompõe-se e, se a temperatura aumentar para além de 290 °C, a reação pode se tornar extremamente explosiva.

"Temperatura, faísca, um início de chama. O calor causa a decomposição, libera nitrogênio, oxigênio e água, eles expandem porque são gases (a água em fase gasosa, é claro). Rapidamente, eles produzem uma onda de choque. É um movimento mecânico dos gases, uma esfera que vai em todas as direções", explicou Marson.

Os gases liberados têm a mesma massa do nitrato de amônio, mas o volume pode ser mais de 10 mil vezes maior. Marson explica que não é possível impedir a força da explosão, já que o mecanismo acontece rápido e em efeito dominó.


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