08 MAI 2021 | ATUALIZADO 18:16
EDUCAÇÃO
22/04/2021 16:56
Atualizado
23/04/2021 08:11

Adolescente cria máscara biodegradável para facilitar acesso de famílias de baixa renda

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O projeto desenvolvido pela estudante Lara Bianca Vieira Dias, de 13 anos, da cidade Antônio Martins, no RN, ganhou um prêmio nacional na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia da USP (Febrace). Aluna do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal José Inácio de Carvalho, Lara conta que criou a máscara utilizando a fibra caulinar do coqueiro, que geralmente é descartada após a safra, e a resina do cajueiro.
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FOTO: CEDIDA/ARQUIVO PESSOAL

Uma jovem cientista de apenas 13 anos, do interior do Rio Grande do Norte, ganhou um prêmio de destaque nacional após produzir uma máscara de proteção contra a Covid-19, sustentável e biodegradável.

Lara Bianca Vieira Dias, natural da cidade de Antônio Martins, desenvolveu a máscara utilizando a fibra do coqueiro e a resina do cajueiro, dois itens abundantes e fáceis de serem encontrados no estado.

Aluna do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal José Inácio de Carvalho, a adolescente conta que a ideia de produzir o EPI se deu ao se deparar com muitas máscaras descartáveis sendo jogadas incorretamente nas ruas.

Além disso, ela percebeu que muitas famílias de baixa renda, principalmente no interior do estado, não tinham acesso fácil à máscaras, item fundamental para combater a proliferação do coronavírus.

“Eu vi que as máscaras descartáveis acabam sendo descartadas de maneira incorreta, causando poluição nas ruas e também percebi que muitas famílias, principalmente no interior do estado, não têm acesso fácil a máscara de proteção contra a Covid-19, por isso eu pensei em criar uma que pudesse ser feita por qualquer pessoas, com coisas fáceis de encontrar no próprio quintal”, conta.

Com a orientação da professora de história Ivana Versiani Vieira da Silva, que também é mãe da estudante, Lara começou a pesquisar e desenvolver o projeto em meados de maio de 2020.

Com a ideia em mãos, elas se inscreveram na feira de ciências da 14º Direc, que atende a região de Antônio Martins. O projeto foi destaque, ganhando o primeiro lugar no evento e credenciado as duas para a feira “Ciências Para Todos”, realizada na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró.

Nesta nova etapa, mais um prêmio foi garantido com o projeto. Desta vez, Lara conquistou uma bolsa de iniciação científica júnior do CNPq, além de uma credencial para a Feira Brasileira de Ciência e Engenharia da USP (Febrace).

Também conquistou uma segunda credencial para uma feira de ciências na Colômbia, a ser realizada entre os meses de junho e julho deste ano.

Na USP, o projeto “Fibra caulinar de coco e resina de cajueiro para produção de máscara biodegradável” também foi premiado, garantindo a Lara uma segunda bolsa de Iniciação Científica Jr. do CNPq a adolescente.

Este último prêmio foi conquistado no final do mês de março. Todos os eventos foram realizados de forma remota, em virtude da pandemia da covid-19.


PRODUÇÃO DA MÁSCARA

Lara conta que para produzir a máscara o processo é extremamente simples e só utiliza 4 itens: fibra caulinar do coqueiro; resina de cajueiro; vinagre e água.

Explica que o único custo da máscara é com a compra do vinagre, que custa menos de R$ 2 nos supermercados. Quanto à fibra do coqueiro, ela diz que esse material pode ser extraído após a safra, quando o agricultor limpa a planta para reiniciar o ciclo.

“Esse material geralmente é descartado, então a gente já evita o descarte, aproveitando para produção da nossa máscara, para que qualquer pessoa possa ter acesso a ela”, diz.

A adolescente contou explicou à reportagem do MOSSORÓ HOJE o passo a passo para produção da máscara.

“De base tem que ter a fibra caulinar do coqueiro. Depois de colhê-la de forma ecologicamente correta, de forma que não danifique a planta, a gente faz a lavagem com água e vinagre. Enquanto isso, colocamos a resina do cajueiro dentro da água, para ela ficar amolecida, como uma liga. Após a lavagem da fibra, fazemos o molde da máscara e vamos passando a resina para tapar os poros. Depois disso a gente bota pra secar ao ar livre, pode ser até no varal de roupas. Depois que está seca, passamos novamente a resina. Esse processo deve ser repetido de 3 a 5 vezes, até perceber que os poros estão totalmente tapados”, explica.



FALTA DE LABORATÓRIO DIFICULTA TESTAGEM

Questionada sobre a verificação da eficácia da máscara, Lara explicou que foram realizados apenas testes empíricos, na própria casa dela, devido a inexistência de um laboratório na cidade que desse condições de aprofundar os testes

“Infelizmente, minha cidade não possui laboratório, o mais próximo fica na cidade de Mossoró, que fica a mais de 2h30 de distância, de carro, daqui. Então, até o momento, nós fizemos teste apenas com a utilização de borrifadores, teste da vela e utilização de secador, para verificar que o ar não ultrapassa a fibra”, explica.

Lara diz ainda que, após uma testagem mais detalhada em laboratório, deseja iniciar a produção de máscaras para distribuição à população carente da região onde ela vive.


Notas

Posto JP Fevereiro de 2021

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