
O sorriso compartilhado em uma foto recente do casal nas redes sociais deu lugar à tragédia na noite desta quinta-feira (23), em Assú (RN). Eliza Maria Anselmo Bezerra, de 26 anos, foi assassinada com um tiro no peito, e a Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. O principal suspeito é o seu companheiro, de 46 anos, que fugiu logo após o crime.
Segundo relatos de testemunhas, ela caiu no chão perdendo muito sangue logo após o disparo. Moradores da região prestaram socorro imediato e a encaminharam para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Assú.
Apesar das manobras de reanimação realizadas pela equipe médica da sala vermelha — ala voltada para casos gravíssimos —, Eliza não resistiu ao ferimento no peito esquerdo e teve o óbito confirmado logo após dar entrada.
O crime ocorreu por volta das 18h. A dinâmica inicial apontada pelas forças de segurança indica que Eliza se envolveu em uma discussão verbal com o companheiro, o marceneiro Francisco Jadeilson Vitorino, 46, residente em Assú. Durante o desentendimento, Vitorino foi até um veículo Toyota Corolla de cor prata, pegou um revólver, retornou ao local e atirou contra a mulher à queima-roupa. Ele fugiu logo em seguida.
A captura ocorreu na mesma noite após uma operação de cerco. "Tivemos informações de que ele estaria em Mossoró, em fuga, juntamente com um advogado, dentro de uma churrascaria. A Polícia Militar foi até o local, identificou o carro usado na fuga e, logo em seguida, o suspeito", detalhou o delegado Caetano Baumam. O estabelecimento onde ocorreu a abordagem foi o restaurante Chimarrão.
Ao ser detido, o marceneiro confessou a autoria do disparo e informou aos policiais militares que a arma utilizada, um revólver calibre 38, estava escondida debaixo do banco do motorista do Corolla. O artefato foi apreendido e encaminhado para perícia técnica.
Cenário alarmante
O assassinato de Eliza ocorre em meio a uma escalada expressiva da violência de gênero no país. Segundo dados oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou um recorde histórico recente de 1.571 feminicídios consolidados em um ano. O avanço de 4% no indicador consolidou o quarto recorde consecutivo desse tipo penal no país.
O levantamento revela o perfil doméstico da letalidade: 60,9% das vítimas foram mortas por parceiros íntimos e a maioria esmagadora dos crimes ocorre dentro de suas próprias casas. No recorte racial nacional, as mulheres negras representam 65,1% das vítimas.
Embora o Ministério da Justiça e Segurança Pública aponte uma sutil retração de 2,5% nos indicadores do primeiro semestre do ano por conta de ações integradas do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, a frequência permanece severa, registrando uma média de 4 mulheres assassinadas por dia no território nacional.
Sancionado em outubro de 2024, o novo Pacote Antifeminicídio tornou o delito um crime autônomo no Código Penal brasileiro, elevando a pena inicial de reclusão para até 40 anos, a mais alta da legislação do país.