08 SET 2026 | ATUALIZADO 08:18
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08/09/2026 08:18
Atualizado
08/09/2026 08:18

Aura Minerals lucra alto com ouro no RN e tem obrigação legal de tratar rejeito tóxico

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O projeto para universalizar o saneamento em Currais Novos (RN) por meio do reuso de esgoto tratado na extração de ouro expõe que a medida não é apenas um benefício hídrico, mas uma obrigação legal da Aura Minerals. Diante do seu alto faturamento com as exportações do metal, a mineradora canadense é a única responsável por custear o tratamento e a destinação correta de seus resíduos. O descarte inadequado desses rejeitos é altamente tóxico e gera graves desequilíbrios ecológicos, tornando o reaproveitamento do material a única alternativa sustentável para mitigar o impacto ambiental de sua própria operação comercial.
Imagem 1 -  O projeto para universalizar o saneamento em Currais Novos (RN) por meio do reuso de esgoto tratado na extração de ouro expõe que a medida não é apenas um benefício hídrico, mas uma obrigação legal da Aura Minerals. Diante do seu alto faturamento com as exportações do metal, a mineradora canadense é a única responsável por custear o tratamento e a destinação correta de seus resíduos. O descarte inadequado desses rejeitos é altamente tóxico e gera graves desequilíbrios ecológicos, tornando o reaproveitamento do material a única alternativa sustentável para mitigar o impacto ambiental de sua própria operação comercial.
O projeto para universalizar o saneamento em Currais Novos (RN) por meio do reuso de esgoto tratado na extração de ouro expõe que a medida não é apenas um benefício hídrico, mas uma obrigação legal da Aura Minerals. Diante do seu alto faturamento com as exportações do metal, a mineradora canadense é a única responsável por custear o tratamento e a destinação correta de seus resíduos. O descarte inadequado desses rejeitos é altamente tóxico e gera graves desequilíbrios ecológicos, tornando o reaproveitamento do material a única alternativa sustentável para mitigar o impacto ambiental de sua própria operação comercial.
Foto: Ismael Medeiros/Currais Novos

O município de Currais Novos, localizado na região do Seridó potiguar, deve atingir universalização do saneamento básico por meio de uma parceria entre a Caern (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte), a prefeitura local e a mineradora canadense Aura Minerals. O projeto prevê a reutilização de efluentes sanitários tratados na operação industrial da empresa, que extrai ouro na região. O acordo foi discutido  na Governadoria, em reunião com a governadora Fátima Bezerra (PT), o prefeito Lucas Galvão (PT) e a diretoria da mineradora.

O projeto prevê o reuso da água do esgoto no processo de operação da Unidade Borborema — ativo da Aura Minerals no estado —, o que será formalizado via contrato especial de cessão de efluentes. Diante da severa escassez hídrica que historicamente atinge a região do Seridó, a medida evita que a mineradora dispute o uso de água dos açudes locais com a população.

Como contrapartida, a Aura Minerals aportará um investimento de R$ 50 milhões nas obras de saneamento da cidade. Embora o montante seja apresentado pelas autoridades como uma contrapartida socioambiental, o tratamento e a destinação adequada desse material são, por regulação, obrigações inerentes à atividade da própria companhia.

O descarte incorreto de rejeitos químicos da mineração de ouro é altamente tóxico para o meio ambiente e capaz de provocar graves desequilíbrios ecológicos na região. Especialistas apontam que esse tipo de resíduo não pode ser descartado na natureza de forma indiscriminada, sendo o tratamento e a reutilização em circuito fechado as únicas saídas sustentáveis viáveis para a operação.

A responsabilidade técnica e financeira pela mitigação desse passivo recai diretamente sobre a Aura Minerals, cujo faturamento no setor tem registrado forte alta. No primeiro semestre de 2026, as exportações de ouro do Rio Grande do Norte somaram US$ 157,5 milhões (cerca de 24,6% de toda a pauta exportadora do estado no período), colocando o RN na sexta posição entre os maiores exportadores do metal no país. A operação comercial da mina em Currais Novos teve início em 2025.

"É o Estado fazendo o seu papel, através do Idema, que exigiu todo o rito de licenciamento ambiental, e agora da Caern", afirmou a governadora Fátima Bezerra. "Esses investimentos têm que estar concentrados não só na compensação ambiental, mas na contrapartida social também."

Segundo o prefeito Lucas Galvão, o município dobrou a geração de empregos formais com a atividade, impulsionada também pela arrecadação do CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais). "Com esse recurso mensal, a gente consegue fazer investimentos na estrutura da cidade. Após um ano e oito meses, já pavimentamos mais de 70 ruas", disse. A mineradora emprega atualmente 1.600 pessoas na região.

"Desde 2023, já são mais de R$ 1 bilhão investidos em Currais Novos e a gente pretende ampliar isso", afirmou Fred Silva, diretor-presidente da Aura Minerals – Unidade Borborema. De acordo com o executivo, o ouro extraído é exportado majoritariamente para o mercado europeu. A estimativa da multinacional canadense é manter as operações na área pelos próximos 30 anos.

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