Carlos Guerra Júnior, conhecido como "Mossoró", irá ministrar palestra no auditório do Centro de Estudos Africamos, da, Universidade de São Paulo, na próxima quinta-feira, dia 30 de novembro.
O pesquisador mossoroense Carlos Guerra Júnior vai ministrar palestra na Universidade de São Paulo (USP) na próxima quinta-feira (30), para falar da música como forma de resistência política em Angola.
Carlos Guerra é jornalista e doutorando em Ciências da Comunicação, mas também atua com RAPentista, em Coimbra (Portugal), utilizando "Mossoró" como nome artístico. Na palestra da USP, a alcunha Mossoró também está sendo divulgada.
"Mossoró tem um significado identitário para mim muito forte. Desde as primeiras vezes que saí do Nordeste, eu percebi a xenofobia interna que se vive no Brasil, já vivi tentativas de me inferiorizar, então resolvi reverter isso valorizando ainda mais minhas raízes. Com isso, não canto rap e sim rapente, que é a mistura de rap com repente e também me apresento artisticamente como Mossoró. Todavia, no âmbito acadêmico, só utilizo o nome próprio. Quando recebi o cartaz com o nome próprio e também o artístico, fiquei muito feliz", ressaltou Carlos Guerra Júnior.
O pesquisador ressalta que o contato com o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos fez com que ele começasse a ver a possibilidade de integração prática do rap com o mundo acadêmico, com dois universos de conhecimento legítimos.
"Eu praticamente separava o que Carlos Guerra fazia e o que Mossoró fazia. Até que pude participar de um evento de rap, em junho do ano passado, promovido na Universidade de Coimbra e recebi muita abertura do Centro de Estudos Sociais, que é referência a nível mundial. Logo conheci a teoria da ecologia dos saberes de Boaventura de Sousa Santos, que ressalta sobre a combinação entre as diferentes formas de saber. Então, pude perceber que poderia ser artista na academia e levar os dados que colhi nas pesquisas para a música", salientou.
O jornalista está realizando pesquisa de doutorado na Universidade de Coimbra, no âmbito do rap como forma de ativismo político no espaço lusófono, estabelecendo um comparativo entre o rap de intervenção Portugal, Moçambique, Angola e Brasil, que são os quatro maiores países falantes da língua portuguesa.
Carlos Guerra já apresentou trabalhos sobre o rap em cinco universidades portuguesas, bem como é coordenador de comunicação da Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (Apeb/Coimbra), realizando vários eventos acadêmicos e culturais. Foi justamente em um evento promovido pela Apeb que surgiu a ocasião de conceder uma palestra na USP.
"No ano passado, convidei o rapper e ativista político Luaty Beirão para Coimbra e falei sobre a música de intervenção em Angola, enquanto o rapper falou da experiência dele, de ter sido preso, junto com um grupo de mais 14 ativistas, por estar lendo um livro de caráter revolucionário. A vice-presidente do Centro de Estudos Africanos, professora Tânia Macedo, estava na plateia e fez o convite para uma ocasião futura. Logo nos aproximamos, para agregar com a minha pesquisa na USP. Já enviei um artigo científico e agora irei conceder essa palestra. Espero que seja apenas o início de uma grande parceria com a USP", comentou o jornalista, que também irá realizar pesquisa de campo, entrevistando vários rappers.
Artisticamente, Mossoró lançou o seu primeiro clipe como RAPentista recentemente. O vídeo pode ser conferido em:
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