23 JUL 2019 | ATUALIZADO 09:01
NACIONAL

Brasileira doa R$ 44 mi para Notre-Dame e vira alvo de questionamentos

A doação de 10 milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões) realizada pela bilionária brasileira Lily Safra para a reconstrução da Notre-Dame despertou questionamentos sobre a falta de engajamento semelhante na ajuda ao Museu Nacional
AFP
18/04/2019 17:29
Atualizado
18/04/2019 17:30
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Brasileira doa R$ 44 mi para Notre-Dame e vira alvo de questionamentos
A doação de 10 milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões) realizada pela bilionária brasileira Lily Safra para a reconstrução da Notre-Dame despertou questionamentos sobre a falta de engajamento semelhante na ajuda ao Museu
Reprodução

Ambos queimaram diante dos olhos de duas nações desoladas, mas comparado aos 850 milhões de euros (cerca de R$ 3,7 bilhões) em promessas de doações para reconstruir a Catedral de Notre-Dame de Paris, o Museu Nacional do Rio de Janeiro ainda luta para ampliar o R$ 1,1 milhão reunidos em oito meses após o incêndio que o devastou. Vendo as imagens do gigantesco incêndio que destruiu parte da catedral francesa na segunda-feira, muitos brasileiros lembraram do incêndio que chocou o país e a comunidade científica em setembro passado, embora o importante museu no Rio não seja conhecido mundialmente como a Notre-Dame.

"Ficamos muito satisfeitos em ver a reação extremamente positiva da sociedade francesa. Isso nos dá a certeza de que a catedral vai ser reconstruída e nos dá a esperança de que, quem sabe, seguindo o exemplo da França, as empresas brasileiras passem também a fazer doações", disse o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner. 

A doação de 10 milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões) realizada pela bilionária brasileira Lily Safra para a reconstrução da Notre-Dame despertou questionamentos sobre a falta de engajamento semelhante na ajuda ao Museu. "As doações não precisam ser nesse mesmo volume, mas seria muito interessante, porque o museu está precisando", acrescentou Kellner. "Com R$ 1 milhão, resolveríamos um monte de problemas. Um milhão de reais, não de euros. Me ajudaria a respirar, porque neste momento estou respirando com a ajuda de aparelhos", comparou o diretor.

Segundo ele, a Associação de Amigos do Museu Nacional, encarregada de recolher as doações, obteve R$ 142 mil de indivíduos e apenas R$ 15 mil de empresas.

O museu também recebeu uma doação de 180 mil euros do governo alemão e R$ 150 mil da representação local do British Council, agência britânica internacional encarregada pelos intercâmbios educacionais e relações culturais. Para Kellner, as doações realizadas por brasileiros são muito fracas, bem abaixo das expectativas. "No nosso país não há o costume do mecenato, o costume de doar. Também não existe uma facilidade fiscal como nos Estados Unidos e na França. O governo brasileiro deveria aprender com isso", sugere.

O Ministério da Educação desbloqueou R$ 10 milhões para trabalhos de urgência que permitiram preservar a estrutura do prédio, mas outros fundos públicos prometidos ainda não chegaram. Kellner aguarda especialmente R$ 55 milhões de uma reserva parlamentar solicitada pelos deputados do Rio de Janeiro.

No começo de abril, os investigadores concluíram que o fogo começou no sistema de refrigeração e se propagou rapidamente pela falta de equipamentos de combate a esse tipo de acidente. Desde o incêndio, dezenas de paleontólogos e arqueólogos trabalham na busca de vestígios e materiais entre os escombros. Cerca de 2.000 peças, das 20 milhões que compõem o acervo do museu, foram encontradas, entre elas sua principal atração: Luzia, um fóssil humano de 12.000 anos.

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