14 OUT 2019 | ATUALIZADO 12:12
SAÚDE

Atendimento oftalmológico na atenção básica pode reduzir cegueira no Brasil

É o que afirma o presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, José Augusto Ottaiano. O conselho está desenvolvendo um estudo com o Ministério da Saúde que visa aumentar o número de consultas na atenção básica para prevenir doenças da visão logo no início.
DA AGÊNCIA BRASIL
10/07/2019 17:28
Atualizado
10/07/2019 17:28
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FOTO: REPRODUÇÃO

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), em conjunto com o Ministério da Saúde, vem desenvolvendo um estudo de combate à cegueira e uma das linhas defendidas é a inserção da oftalmologia na atenção básica de saúde.

José Augusto Ottaiano, presidente do CBO, informou que o objetivo é desenvolver políticas públicas de saúde com a meta de interiorizar o atendimento, ou seja, garantir a saúde ocular de toda a população brasileira.

Ottaiano esclareceu que, atualmente, existe uma diferenciação entre o que é cegueira e o que é deficiência visual. Muitas pessoas deficientes visuais se comportam como cegas em função da qualidade de visão que têm. Mas 75%, ou três quartos desses indivíduos, pode ter a deficiência solucionada com óculos e com cirurgias de catarata.

“São coisas passíveis de serem solucionadas. Não é uma cegueira irreversível”, afirmou Ottaiano. A proporção hoje é de uma pessoa cega para 3,4 deficientes visuais.

O CBO defende que a cegueira e a deficiência visual podem ser evitadas com prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

As principais causas de cegueira são as cataratas, glaucoma e a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Os erros refrativos não corrigidos (miopia, astigmatismo, hipermetropia) também aparecem como maiores responsáveis pelo comprometimento da visão.

As estatísticas fazem parte do documento “As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2019”, lançado pelo Conselho no mês de junho, durante o Fórum Nacional de Saúde Ocular, realizado na Câmara dos Deputados.

CONSULTAS

O presidente do CBO sustentou que com a oftalmologia inserida na atenção básica de saúde, 80% dos problemas de deficiência visual poderão ser corrigidos, passando para a atenção secundária os problemas graves.

O estudo feito em parceria com o Ministério da Saúde objetiva também criar um sistema, dentro da rede pública de saúde, para elevar o número de consultas de 10,4 milhões, realizadas em 2018, para 40 milhões ou 50 milhões de consultas.

Além de organizar a rede, em termos de saúde pública, a ideia é ter um plano de carreira para os oftalmologistas e universalizar o atendimento, com a possibilidade, inclusive, de aquisição, pelo governo, da rede instalada privada. Ottaiano admitiu que se forem adotadas essas iniciativas, os problemas serão bem atenuados.

O estudo desenvolvido pelo CBO e Ministério da Saúde deve ficar pronto em 60 dias, “no máximo”, estimou Ottaiano. “Todas as premissas já estão delineadas”, informou.

INCIDÊNCIA

O estudo de incidência da cegueira feito pelo CBO no Brasil considera os aspectos econômicos e de idade. “As duas informações são importantes para o raciocínio populacional”, disse o médico.

Em termos de incidência, a sondagem mostrou 0,3% de cegueira na classe rica, 0,6% na classe média, e 0,9% na classe pobre. Isso significa que a classe menos favorecida tem três vezes mais frequência de cegueira que a classe rica.

“Infelizmente, a parte econômica tem uma participação decisiva nessa prevalência de pessoas cegas”.

A análise por idade mostra que a incidência da cegueira nas pessoas idosas, dependendo do local, chega a ser de 15 a 30 vezes maior que nos jovens.


Notas

João Carlos

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