23 JUN 2021 | ATUALIZADO 09:00
NACIONAL
09/06/2021 16:42
Atualizado
09/06/2021 17:02

Depoimento de Élcio Franco a CPI da Covid contradiz fala de diretor do Butantan

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A afirmação de Élcio Franco, que atualmente é assessor especial da Casa Civil, difere do depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Em sua oitiva, Covas pontuou que a primeira oferta de vacinas ao governo federal foi feita em julho do ano passado. Foram oferecidas 60 milhões de doses da CoronaVac, que seriam entregues no último trimestre de 2020, o que poderia ter garantido o início da vacinação já em dezembro com 5 milhões de doses.
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O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, disse à CPI da Covid nesta quarta-feira (09) que a pasta nunca paralisou as negociações com o Butantan.
“Não recebi ordem para interromper, e elas continuaram. Essas tratativas continuam. E o Instituto Butantan, como eu falei, o Dr. Dimas Covas e a Cintia tinham o meu telefone e, em caso de alguma dificuldade de comunicação, eles poderiam ter mandado mensagem para o meu WhatsApp e poderiam ter conversado comigo”, alegou.
A afirmação de Élcio Franco, que atualmente é assessor especial da Casa Civil, difere do depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Em sua oitiva, Covas pontuou que a primeira oferta de vacinas ao governo federal foi feita em julho do ano passado. Foram oferecidas 60 milhões de doses da CoronaVac, que seriam entregues no último trimestre de 2020, o que poderia ter garantido o início da vacinação já em dezembro com 5 milhões de doses. Ele lembrou ainda que o protocolo de intenções para a venda de vacinas para o Ministério da Saúde foi assinado em janeiro e ficou “suspenso” por quase três meses.
“O mundo começou a vacinar no dia 8 de dezembro. No final de dezembro, o mundo tinha aplicado mais de 4 milhões de doses, e tínhamos no Butantan 5,5 milhões, e mais 4 milhões em processamento. O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação, se não fossem percalços, tanto contratuais como de regulamentação”, afirmou Dimas Covas.
Élcio Franco afirmou também que não comprou a Coronavac em outubro de 2020, devido ao fato de ela estar na fase 3 de estudos clínicos. Na época, foram ofertadas 60 mil de doses da CoronaVac, como afirmou o representante do Butantan. “A fase 3 de estudos clínicos de desenvolvimento de imunizantes também é considerada o cemitério de vacinas Isso cabe para destacar que o desenvolvimento da vacina gera muitas incertezas. Então, esse é um aspecto que permeou a negociação com todos fabricantes das vacinas”, declarou.
O líder da minoria, senador Jean Paul Prates (PT-RN), defendeu que sejam feitas acareações pela CPI. “Chegou o momento de solicitar acareações entre os depoentes na CPI. Temos visto inúmeras contradições nos depoimentos”, criticou.
Cloroquina
Sobre a Cloroquina, Elcio Franco declarou que o Ministério da Saúde não adquiriu cloroquina para combater a Covid-19, no ano passado. Entretanto, segundo o jornal Folha de São Paulo, a pasta desviou 2 milhões de 3 milhões de comprimidos de cloroquina fabricados pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para o combate à malária. Essa ação deixou descoberto o programa nacional de controle da malária.
Elcio confirmou ainda que tomou cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. “O atendimento precoce pelo médico para o seu diagnóstico, as suas orientações para que o paciente possa se afastar de demais e não contactar e transmitir a doença para outros e prescrever as medicações que ele julga mais adequadas, eu sou favorável, sim”, disse.

Notas

Posto JP - Maio de 2021

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