Originário da região desértica de Kohistan, na província de Sind, no Paquistão, o gado da raça Sindi carrega em seu DNA milênios de adaptação a condições climáticas extremas. Introduzido no Brasil no século XX, o gado de pelagem vermelha encontrou no semiárido do Nordeste o ambiente perfeito para manifestar seu potencial.
A grande vantagem que seduz os criadores modernos é a sua dupla aptidão, entregando carcaças pesadas para o corte e leite com altos índices de sólidos. Sua alta eficiência alimentar, porte médio, que exige menor consumo de água e pasto por hectare, e extrema rusticidade contra parasitas e estiagens prolongadas tornam a raça o investimento mais inteligente para o produtor rural.
No município de São José do Campestre, no Agreste Potiguar, o fazendeiro Wagner Gadelha consolidou-se como uma referência regional na seleção da raça. Atualmente, Gadelha cultiva um rebanho de 230 cabeças de gado Sindi, focando no melhoramento genético e na sustentabilidade do manejo.
“A gente procura num animal que produza tanto carne como leite, essa é a grande sacada da raça, aliado com a rusticidade e a forma de trabalhar com a raça, que é muito fácil e de baixo custo”, destaca o fazendeiro.
O produtor ainda conta que a escolha pela raça transformou a dinâmica da propriedade. O tamanho compacto dos animais permite que ele mantenha uma taxa de lotação por hectare superior à média de raças maiores, maximizando o aproveitamento do solo potiguar mesmo nos meses mais secos do ano.
Na propriedade, o dia a dia e os cuidados reprodutivos contam com o trabalho especializado. Cosme Junior, é o responsável por executar o cronograma de manejo na fazenda França, na cidade de Touro, litoral sul do RN, esquina do Brasil.
“Essa raça precisa de banho todo dia e boa alimentação, são cuidados simples. Em média, alguns animais chegam a pesar 600 kg, com um custo de produção estimado em 20 mil reais por mês”, explica Cosme Júnior.
O cronograma de manejo é estruturado em quatro etapas essenciais:
Manejo Nutricional de Precisão: Logo nas primeiras horas da manhã, Cosme Junior gerencia o pastejo rotacionado. O rebanho principal consome pastagem consorciada, enquanto as vacas em lactação e os bezerros recebem suplementação no cocho com silagem de milho e palma forrageira enriquecida, garantindo energia constante.
Monitoramento e Reprodução: A reprodução é a engrenagem central da fazenda. Cosme acompanha de perto os protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e o repasse com touros avaliados. A fertilidade precoce e a facilidade de parto naturais da raça Sindi reduzem drasticamente as perdas reprodutivas no campo.
Cuidados Sanitários Diários: O manejo preventivo inclui a aplicação rigorosa do calendário de vacinação contra febre aftosa e brucelose. Além disso, o profissional realiza o casqueamento preventivo e banhos de aspersão estratégicos, embora a pelagem avermelhada e a pele escura do Sindi ofereçam proteção natural contra a radiação solar intensa e carrapatos.
Maternidade e Desmama: As vacas próximas ao parto são isoladas no piquete maternidade. Cosme Junior faz o monitoramento diário do nascimento, realiza a cura do umbigo dos bezerros com iodo a 10% e garante a mamada imediata do colostro, fundamental para a imunidade dos novos animais.