
Uma nova barreira econômica imposta pelo governo dos Estados Unidos lançou a indústria salineira do Rio Grande do Norte em uma crise profunda. O estado, que concentrar 95% de toda a produção do sal marinho brasileiro, enfrenta dificuldades para escoar a mercadoria devido à consolidação de medidas protecionistas em Washington, baseadas na legislação comercial americana.
O entrave econômico se arrasta desde o ano passado, quando a Casa Branca fixou uma alíquota de 50% sobre o produto potiguar. Embora a Suprema Corte dos Estados Unidos tenha chegado a derrubar a taxação sob o argumento de que houve excesso de poder por parte do Executivo, o alívio para os produtores locais durou pouco. A constante ameaça de que novas sanções seriam aplicadas sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA manteve o mercado internacional sob forte desconfiança.
A confirmação de um novo tarifaço nas últimas semanas interrompeu de vez os planos de recuperação do setor produtivo no Nordeste. De acordo com o Airton Torres, especialista e representante do setor industrial salineiro do estado, o impacto prático vai muito além do valor cobrado nas alfândegas.
"O ambiente é de incerteza e finalmente veio agora a instituição desse tarifaço, resultado das ameaças que já haviam sido feitas. O prejuízo continua existindo. As exportações que se fazem são apenas aquelas que são pontuais, específicas em dados momentos, sem nenhum espaço para celebração de contratos de fornecimento de média e de longo prazo", explica Torres.
Bloqueio comercial
Sem conseguir restabelecer os patamares de cooperação anteriores à ofensiva tarifária de 2025, os empresários potiguares agora tentam costurar uma reação institucional. O temor das empresas é que o sal refinado e grosso brasileiro perca competitividade para competidores da América Central e da própria indústria interna dos EUA, inviabilizando o planejamento de investimentos futuros no Semiárido potiguar.
Como alternativa ao bloqueio imposto por Washington, representantes do segmento deram início a uma articulação política para tentar livrar o produto das restrições fiscais. A intenção é usar o peso político das confederações empresariais para abrir um canal de diálogo direto com as autoridades comerciais dos Estados Unidos.
"Nesse momento, nós estamos iniciando os contatos com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e a Federação certamente vai trabalhar junto à CNI (Confederação Nacional da Indústria) para que o nosso produto, o sal brasileiro, possa ser incluído na lista das isenções", conclui o especialista.