17 NOV 2019 | ATUALIZADO 18:15
VARIEDADES

Pacotes misteriosos em praias do Nordeste são de navio alemão naufragado em 1944

A confirmação foi dada nesta quarta-feira (9), por pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC). Por enquanto, eles descartaram a relação entre as manchas de óleo e as caixas encontrada nas praias.
COM INFORMAÇÕES DO G1
11/10/2019 09:37
Atualizado
11/10/2019 09:45
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FOTO: DIVULGAÇÃO

As caixas misteriosas que apareceram em praias do Ceará e de outros estados do Nordeste são provenientes de um navio alemão que naufragou no litoral nordestino em 1944.

A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), quando investigavam a origem das manchas de óleo que surgiram no litoral do Nordeste.

Os materiais são grandes fardos de borracha, mas ainda não se sabe para que eram utilizados. Em uma das caixas havia uma placa metálica com inscrições em alemão, que foi a principal pista para a descoberta da origem das caixas.

A placa foi encontrada quando a equipe pesquisava o ponto de vazamento que atinge as praias de todo o Nordeste.

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O mistério das caixas começou em outubro do ano passado, após o primeiro aparecimento em Alagoas. No Ceará, os fardos apareceram nas praias de Aracati, Camocim, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Trairi e Pecém, além do Serviluz, em Fortaleza. 

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De acordo com o professor Luís Ernesto Bezerra, cerca de 200 caixas foram encontradas em todo o litoral. Bezerra começou a investigar a origem das caixas misteriosas após encontrar uma delas em Itarema, no interior do Ceará.

"[Ela] tinha uma inscrição pertencente à Indonésia Francesa, que ficou independente em 1953, ou seja, é muito antiga. Então começamos a pesquisas e encontramos confirmações desse naufrágio", conta.

Conforme Carlos Teixeira, oceanógrafo físico do Labomar, o navio "SS Rio Grande" utilizava nome brasileiro para se disfarçar dos inimigos de guerra e era carregado com esses fardos de borracha. Ele foi afundado por forças aéreas dos Estados Unidos.

"A gente sabia das caixas, mas nunca tínhamos conseguido desvendar de onde elas vinham. Aí veio a problemática do óleo. Por coincidência, ou não, a ocorrência desse óleo está acontecendo na mesma época do ano em que as caixas começaram a aparecer no ano passado", relata.

A relação entre as manchas de óleo e as caixas, porém, está descartada "por enquanto" pelos pesquisadores. Isso porque o petróleo cru encontrado nas praias é relativamente recente. "Para ter relação [com as caixas], o óleo teria que ser muito velho."

O navio naufragou entre 1º e 4 de janeiro de 1944, mas só foi descoberto mais de 50 anos depois, em 1996, a cerca de mil quilômetros do litoral.

Carlos Teixeira começou então um trabalho de simulação para confirmar que as caixas poderiam chegar até a costa nordestina e obteve a confirmação nesta quarta-feira (9): "Temos 99% de certeza dessa origem".

O professor Luís Ernesto Bezerra explica por que os fardos de borracha começaram a aparecer recentemente.

"Navios naufragados começam a sofrer corrosão, então, décadas depois, começam a vazar as suas cargas. E por ter acontecido no Oceano Atlântico perto do Nordeste, elas [as caixas] chegaram até aqui", diz.


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